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1 19/03/2018 15:47

A mercantilização do ensino superior é fato, não se discute. O que poderá ser levado ao debate é até que ponto é prejudicial aos alunos, portadores de títulos, mas desprovidos do saber, e do país, que passará a contabilizar graduados, embora não tenham a devida competência para exercer as atividades de pesquisa, extensão e da academia, muito menos no dia a dia do mercado de trabalho.

Diante da exiguidade do conhecimento oferecido pelas faculdades e muito menos adquirido pelos alunos, a saída é prometer um plus ao diploma de graduação, com títulos de pós-graduação, conferindo grau de especialização a quem não tem sequer o essencial. Se por um lado presenteia o aluno com uma distinção acadêmica, por outro lastreia as finanças das entidades de ensino de terceiro grau.

Afinal, existem todas as condições propícias para tanto: De um lado, alunos ávidos por um título de especialista para almejar possíveis melhorias no mercado de trabalho, do outro as instituições desejosas para ampliar o seu faturamento, o único complicador era ter, no meio, um professor como empecilho desta relação espúria. Hoje esse problema não existe mais e os professores são selecionados de acordo o grau de comprometimento com a entidade empregadora e não com a qualidade do ensino.

É a banalização da Educação, ampliada de forma horizontal e indiscriminada, como se não fosse necessário o preenchimento de requisitos essenciais imprescindíveis para galgar novo status na academia. Até mesmo os cursos de mestrado, condição sine qua non ao acesso de candidatos ao ensino do terceiro grau pode ser realizada sem nenhuma verificação prévia do conhecimento de cada candidato.

O certo é que uma faculdade que se preze apresenta, orgulhosamente, como um diferencial de qualidade uma enorme variedade de cursos de pós-graduação, não importando o currículo dos professores que irão ministrar as disciplinas. Ao serem matriculados, os alunos não recebem sequer a ementa e o conteúdo programático a ser dado, tampouco a bibliografia que orientou a formatação do projeto.

Ao chegar à sala de aula, o incauto aluno não tem conhecimento dos assuntos a serem abordados, pelo simples fato de que, às vezes, nem mesmo o professor sabe. Sim, com frequência ele [o professor] é contratado para dar aulas em substituição ao colega programado anteriormente, e chega à sala de aula sem assunto e conteúdo definido para aplicar aos alunos.

Nesse caso, o que seria oferecido como um diferencial positivo tem efeito contrário e se transforma em negativo, pois atinge a todos de forma indiscriminada. É a banalização da importância dos cursos de pós-graduação, por não se aprofundar no estudo dos temas contidos no conteúdo programático.

Esses arremedos de cursos que são oferecidos a cada esquina dos guetos da educação também se tornam famosos pela benevolência e superficialidade no trato dos assuntos, relegando a pesquisa a coisa de somenos importância. Não se cobra dos alunos pós-graduandos trabalhos de pesquisa e sim simples aferição em sala de aula, cuja prova, às vezes, são feitas, pasmem os senhores, em três ou quatro questões, algumas delas de múltiplas escolhas.

Professores que adotam – se amoldando aos interesses meramente financeiros das faculdades – esse comportamento são escolhidos os “queridinhos” das classes, não pela praticidade em sala de aula, mas por compreender a situação dos alunos, tão atarefados com afazeres do seu dia a dia. Já os professores que se propõem a encarar seu ministério com seriedade são considerados chatos e desnecessariamente exigentes.

São questionados pelos alunos e objeto de várias reclamações na secretaria acadêmica, por serem incompreensíveis com a realidade do aluno [eles mesmos], que se consideram incompreendidos. E esse tipo de reclamação é feita como se a busca do conhecimento especializado fosse um estorvo para o mercado de trabalho, e não o caminho mais seguro pra trilhar a carreira profissional.

Tempos atrás, um conceituado professor universitário foi execrado por ter chamado a banalização dos cursos por algumas instituições de “Escolinha Wallita”, sem querer ofender a empresa de eletrodomésticos que mantém treinamentos para ensinar operar seus equipamentos e preparar receitas culinárias. Apesar das manifestações em contrário, a assertiva continua atual como nunca.

E neste diapasão vamos nos acostumando com o abismo que vai aumentando a distância entre a população escolarizada – que tem acesso à escolarização –, que pode ser dividida entre os que apenas tiveram acesso ao conhecimento e os que efetivamente são detentores do saber.

Como resultado dessa deformação, surgiram – a exemplo dos analfabetos funcionais – os analfabetos tecnológicos, que embora tivessem contato com as informações não sabem manipular as avançadas tecnologias da telemática. Confundem – de propósito ou não – a elaboração de um trabalho de pesquisa com o Ctrl C – Ctrl V, o famoso copiar e colar, que mostra o bom desempenho do aluno apenas no papel e no cometimento do crime de contrafação.

Infelizmente, nos quesitos mercantilização e banalização da pós-graduação, têm culpa no cartório as faculdades públicas e privadas [ressalvadas as exceções], já que são os mesmos professores quem lecionam em ambas. E com os mesmos compromissos em relação às facilidades e mordomias dos alunos.

Enfim, vivemos o apagão da Educação!

Radialista, jornalista e advogado


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 Penso Assim - por Walmir Rosário 






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