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1 21/01/2019 23:01

Oh my god! Again! Parece até perseguição, mas não é. A palavra dita, falada, tem o mesmo efeito que uma flecha a ser disparada. Não dá para fazê-la voltar, ainda mais nesses tempos em que a tecnologia está cada vez mais avançada. Que o diga o nosso prefeito de Canavieiras, Dr. Almeida, que fala pelos cotovelos quando o assunto é fazer política.

Além de gostar do contato com as pessoas – intensificada com a prática da medicina –, segue fielmente os conselhos dos seus marqueteiros, acredito que com base naquela máxima: uma palavra repetida mil vezes se transforma em verdade. Mas, nos dias de hoje essa é uma faca de dois gumes e basta um pequeno celular para se conseguir um vídeo e áudio de primeira qualidade.

Agora, mais um vez, o prefeito tentar dizer que dito está sendo dito como ele não disse, embora a gravação nos mostre o contrário, desmontando todos os desmentidos e nota oficiais que tentem explicar o inexplicável. Há quem diga que determinadas conversas não adiantam desmentidos, pois a cada vez as evidências mostram coisas ou fatos novos, complicando a situação.

E é exatamente isso que está acontecendo com o prefeito Dr. Almeida, após proferir discurso. Desta vez, o Pau de Bastião foi erguido com todas as pompas, embora a população, ou a oposição, como ele chama, está descendo o pau no discurso proferido pelo prefeito, num local inconveniente, dadas as circunstâncias.

Aliás, as palavras ditas pelo Dr. Almeida para convencer as pessoas de que suas contas contêm todas as lisuras já estão com aspecto de um mantra, de tão repetido em locais e ocasiões diferentes. Tem gente que já conhece de cor e salteado, pois as escutam nas entrevistas na rádio, nas inaugurações, nas festas populares, enfim, em todas as oportunidades que encontra um microfone à frente.

Acredito até que seu discurso seja convincente para a população, já que deve ter sido estudada cientificamente pelos seus gurus e marqueteiros, embora não tenha tido o efeito desejado junto aos técnicos e o conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). Quem sabe tenha faltado – um lapso, melhor dizendo – aos conselheiros do prefeito alertá-lo sobre a chamada liturgia do cargo e as conveniências dos discursos em locais nem tão apropriados.

A retórica e a eloquência do orador, sendo ele um político de expressão popular, pode, deve, e tem a obrigação de encantar a plateia, para que possa convencê-la com a objetividade desejada. Mas é preciso que o orador, com sua expressão vibrante não se deixe cair no entusiasmo em que expõe suas ideias, pois pode se deixar trair em sua capacidade mental, falando o que não deveria.

A grosso modo, oratória e retórica precisam andar lado a lado, para não deixar o discurso sair dos eixos fazendo com que a emoção traia a razão, como deveras aconteceu na praça. Esqueceu de praticar a comunicação de forma dialética, apresentando os fatos de forma lógica. Preferiu, porém, o Dr. Almeida “beber” no discurso poético, de forma contemplativa, mas não consentida pelos ouvintes.

E no áudio está mais do que presente a vontade do orador quando disse, textualmente: “Em relação as contas, infelizmente, existe a influência política e o poder do dinheiro e a gente imagina que houve muita pressão para acontecer no primeiro momento a rejeição das contas e eu volto a desafiar: não existe absolutamente nada de errado.” Afirmou que os técnicos do TCM sofreram pressão para reprovar suas contas. Pecado nº 1.

E foi além, cometendo outro pecado, o de nº 2: “Ninguém rouba, ninguém deixa roubar, ninguém deixa roubar, ninguém comete corrupção e nem comete improbidade administrativa. Vamos apresentar todas as provas e eles vão ter que colocar o rabo entre as pernas e aprovar nossas contas porque para isso existe a lei de Deus e a lei dos homens”, assegurou em praça pública.”. Questionamento maior da matéria jornalística.

Basta uma simples audição da gravação em áudio para que caia por terra toda a explicação dada na nota de esclarecimento municipal de que se referia à oposição quando disse que “eles vão ter que colocar o rabo entre as pernas”, até porque não é a oposição quem aprecia as contas do município. Querer imputar à imprensa fake news em suas declarações é tentar, demasiadamente, forçar a barra.

Como o nosso prefeito é, atualmente, um homem devotado à religião protestante, um multiplicador do evangelho, faria bem observar mais atentamente uma passagem bem conhecida da Bíblia Sagrada. Está lá em Mateus, cap. 22, versículo 21: “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus, o que é de Deus.”. Apenas para ilustrar, no discurso, o alvo foi um, o TCM; na nota, o alvo foi a oposição.

Não acredito que mundo desabe e técnicos e conselheiros confirmem ou modifiquem suas atitudes pelo discurso do prefeito, haja vista que agem com vistas em números, sequência lógica contábil, o ato de fazer ou não fazer como manda a lei. Também não é a primeira vez que um político é traído por palavras ditas ao sabor do ambiente, do público presente. Mas que o prefeito deve acatar e respeitar a liturgia do cargo, sim. É salutar!

* Radialista, jornalista e advogado


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 Penso Assim - por Walmir Rosário 






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