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1 22/02/2020 11:10

O instituto Ibope Inteligência divulgou nesta sexta-feira (21) uma pesquisa que aponta que 48% das mulheres brasileiras declaram já ter sofrido algum tipo de assédio, constrangimento ou importunação sexual em alguma festa de carnaval pelo país.

A pesquisa foi feita pela internet e considera apenas as internautas que já foram em celebrações carnavalescas como blocos de rua, desfiles ou sambódromos, trios-elétricos, eventos em lugares fechados, etc. O levantamento foi realizado entre os dias 31 de janeiro a 6 de fevereiro, por meio de questionário estruturado aplicado em painel online.

Segundo o Ibope, as mulheres com idade entre 16 a 24 anos são as maiores vítimas e 61% delas dizem já ter sofrido algum assédio ou importunação nesses eventos.
Dentre as mulheres que declaram já ter passado por alguma dessas situações constrangedoras, 50% afirmam que foram vítimas de constrangimento verbal, enquanto cerca de 22% relatam que o constrangimento foi físico. Outras 28% declaram que as situações sofridas nesses eventos foram tanto verbais quanto físicas.

Números femininos: 

- 48% das mulheres já sofreram algum tipo de assédio, constrangimento ou importunação sexual

Dentre as mulheres que já foram assediadas:

- 50% afirmam que o constrangimento foi verbal
- 22% relatam que o constrangimento foi físico
- 28% narram agressões tanto verbais quanto físicas

Machismo
 
O levantamento do Ibope também mostra que comportamentos machistas estão presentes na festa popular entre os homens. Ao ouvir os internautas do sexo masculino, 29% responderam que uma “mulher que usa roupas ou fantasias curtas não pode reclamar se receber uma cantada”.

A afirmação machista apresentada pelo Ibope ganha apoio especialmente entre os homens mais velhos, segundo o instituto. Enquanto 61% dos jovens de 16 a 24 anos afirmam discordar totalmente da afirmação, 48% dos homens entre 35 a 54 anos concordam e 43% daqueles com idade acima de 55 anos também declaram que “mulher que usa roupas ou fantasias curtas não pode reclamar se receber uma cantada”.

Na pesquisa, o Ibope também apurou que 18% dos homens concordam que roubar um beijo surpresa de uma mulher durante uma festa faz parte da paquera. Isso significa que cerca de um em cada cinco homens acha normal a prática do "beijo roubado" sem o consentimento da mulher.

Outros 15% dos homens acreditam que é um elogio chamar uma mulher desconhecida de “gostosa” em uma festa, enquanto 9% consideram que segurar pelo braço é um jeito comum e aceitável de um homem abordar uma mulher em uma festa.

Quando questionados sobre o quanto conhecem a expressão “assédio sexual” e o “crime de importunação sexual”, que desde 2018 é lei no Brasil, os homens que responderam a pesquisa indicam estarem mais familiarizados com o senso comum sobre assédio sexual. Ou seja, enquanto 59% afirmam saber bastante sobre assédio sexual, somente 28% dos internautas brasileiros declaram saber bastante a respeito do crime de importunação sexual.

O Ibope também quis saber sobre a percepção dos brasileiros em relação às situações de constrangimento que as mulheres enfrentam durante o carnaval. Cerca de 55% dos internautas brasileiros homens e mulheres afirma já terem presenciado algum ato de constrangimento sexual em alguma festa de carnaval. 44% dizem já ter presenciado agressões verbais, 18% agressões físicas e 38% afirmam já terem presenciado agressões tanto verbais quanto físicas contra mulheres no carnaval.

Números masculinos:

- 29% concordam com a frase: uma “mulher que usa roupas ou fantasias curtas não pode reclamar se receber uma cantada”
- 18% homens concordam que roubar um beijo surpresa de uma mulher durante uma festa faz parte da paquera
- 15% dos homens acreditam que é um elogio chamar uma mulher desconhecida de “gostosa”
- 9% consideram que segurar pelo braço é um jeito comum e aceitável de um homem abordar uma mulher em uma festa
 
Dentre os diferentes tipos de celebrações carnavalescas, a pesquisa também indica que os blocos de rua são os que atraem mais foliões, uma vez que 28% dos internautas costumam ir em bloquinhos, resultado que alcança 35% na faixa etária mais jovem (16-24 anos). Há também quem prefira não participar de festas ou apenas viajar: 41% declaram não comemorar o carnaval e 16% aproveitam o feriado para apenas viajar com famílias e amigos.

De acordo com a gerente de atendimento e planejamento de consumo e serviços do Ibope Inteligência, Soraia Amaral, o Brasil ainda é um país com reflexos de machismo estrutural e preconceitos enraizados.

"O que percebemos são diferenças geracionais que destacam a conscientização maior dos jovens sobre o assunto, mostrando a sua importância no processo de desconstrução desse machismo estrutural. Os dados da pesquisa no contexto de Carnaval só evidenciam o comportamento cotidiano em relação ao machismo”, declara Soraia Amaral.

G1







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