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1 27/04/2020 08:36

O Coronavírus, na sua versão Covid-19, deixou nu uma grande parte de quem acreditávamos que faziam ou conheciam a ciência. E essa constatação não foi visível apenas aqui no Brasil, mas em várias partes do mundo. Além de quase total desconhecimento do vírus – o que seria normal –, não conheciam os protocolos e medicamentos em uso no Brasil há dezenas de anos.

Nesses tempos em que prevalecem as especialidades e os exames complexos, os médicos perderam o entusiamo com a clínica médica, aquela que está presente nas áreas mais remotas, onde faltam equipamentos e medicamentos, mas sobram conhecimento sobre o homem e seu corpo. E a aplicação da cloroquina foi um dos exemplos. Embora desconhecido nos grandes centros, faz parte do dia a dia da medicina na Amazônia.

E a ideologização da cloroquina e sua discussão foi uma das melhores coisas que aconteceu nesta pandemia por demostrar que existe vida inteligente fora do eixo Rio-São Paulo-Brasília. Para uns importavam mais os cadáveres expostos nas manchetes da mídia, não importando se a causa mortis seria o vírus ou não; para outros, valeria a pena alternativas de cura, mesmo não tendo o respaldo de 100% das pesquisas científicas.

O mais decepcionante foi o efeito manada da esquerda em eleger como sagrada as informações dos camaradas da Organização Mundial da Saúde (OMS), hoje responsabilizada pela pandemia. Isolamento vertical X horizontal passou a ser a grande questão, chegando ao ponto que camaradas e companheiros já nem mais se importam com isso e prometem prender qualquer cidadão de bem desobediente das suas ordens.

Em Ilhéus, o prefeito sequer tomou conhecimento da pandemia em sua cidade – apesar de médico – por achar que o problema seria de responsabilidade dos secretários que terceirizaram a prefeitura. Também não ouviu os demais segmentos da sociedade, que sugeriam medidas mínimas mais eficientes e eficazes, como a distribuição de máscaras para a população, acompanhada de uma campanha educativa.

Mas nada disso sensibilizou Marão – que prometeu cuidar das pessoas e não cumpriu –, até o recrudescimento da infecção, atingindo, inclusive os profissionais da medicina do combalido e recém-inaugurado Hospital Costa do Cacau. O hospital, que conseguiu superar as constantes greves não soube ultrapassar a barreira do vírus.

Nos dias atuais, por incrível que pareça, enquanto a pandemia dá uma trégua em quase todo o Brasil, avança a passos largos em Ilhéus, a ponto do prefeito clamar ao secretário estadual da saúde ações enérgicas, a exemplo de toque de recolher e prisão para os infratores. Na minha ótica, melhor teria sido não ter se omitido no início e tomar os cuidados previstos no protocolo como fizeram outros prefeitos.

Ilhéus é só um exemplo de como a saúde é relegada ao descaso pelas administrações públicas, mesmo nas cidades em que têm como prefeitos profissionais da medicina. Se Ilhéus tem o Hospital Costa do Cacau, não custa lembrar que se trata de um equipamento para servir a uma grande região, e que para funcionar, o Governo do Estado fechou o antigo Hospital Luiz Viana Filho, apesar das promessas de torná-lo um hospital de especialidade. Promessas vãs.

Em cada um dos municípios baianos (acredito que em todo o Brasil) prefeitos e governador privilegiam o uso de ambulância do que a implantação de especialidades médicas. Preferem transportar os pacientes para tratamento em outros centros, não sem antes faturar o atendimento(?) feito em sua cidade. Basta gastar uns litros de gasolina e estarão livres do estorvo.

Ambulância nessas cidades são tratadas como um bem de alta relevância política, com direito a fotos na entrega pelo governo do estado e desfile com sirenes ligadas e show pirotécnico pelas ruas da cidade. O de Canavieiras, por exemplo, não leva nem motorista e ele mesmo vem dirigindo a ambulância, fazendo selfies a cada parada na estrada e muita algazarra quando chega a cidade.

E esse comportamento se tornou um padrão dos serviços médicos prestados nos médios e pequenos municípios, com enormes filas desde a madrugada na tentativa de uma simples consulta. Acredito que já se transformou em um protocolo, mesmo informal, pois os últimos das intermináveis filas recebem apenas um carão do(a) atendente, recomendando que chegue mais cedo para ganhar uma ficha.

Parece gozação – mas é a mais pura verdade –, mas é muito comum nessas cidades, incluindo nessa lista Canavieiras, que os pacientes, quando perguntado pelos mais conceituados médicos da cidade, respondem, sem pestanejar: “Aqui eu só confio no Dr. Ambulância”. Agora, pergunto eu: quem pratica uma medicina dessa qualidade está pronto para fazer saúde?

Pelo que ficou evidenciado nesta pandemia, o governador desobedece duplamente a Constituição Federal que diz ser a saúde um direito de todos e dever do Estado; e quando estabelece sanções no direito de ir e vir, deturpando, além de nosso maior Diploma Legal, o Código de Direito Penal, visto de forma caolha, mas proposital. E ainda teimamos em dizer que nos encontramos em uma democracia…

*Radialista, jornalista e advogado.

 

 

 

 

 

 


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 Penso Assim - por Walmir Rosário 






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