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1 11/05/2021 16:21

Retorno as aulas presenciais: é seguro????

 

Muito se tem discutido sobre o retorno das aulas presenciais. A ameaça invisível do coronavírus e as milhares de mortes diárias assustam muito todos nós e nos deixam uma série de dúvidas em relação a segurança de voltarmos a normalidade. Então hoje vamos analisar uma série de estudos e dados para vermos se realmente é seguro ou não voltarmos às aulas presenciais ou não!!

 

Vamos lá???

 

·         Porcentagem de crianças infectadas e mortes infantis: mesmo em estados e países que mantiveram as escolas abertas integralmente ou parcialmente não houve aumento dos índices de infecção e mortes em crianças, sendo elas responsáveis por apenas 2% das infecções nos estudos atuais; em 2020 tiveram 2,2x mais mortes por influenza nos EUA do que por Coronavirus; as crianças correspondem por 24% da população mundial, correspondendo a 2% dos infectados diagnosticados com coronavirus. A mortalidade das crianças é 37,5% menor do que adultos. A mortalidade pelo H1N1 é 4,5x maior que o coronavirus em crianças.

2,5% das crianças com covid 19 foram hospitalizadas; 0,8% foram internadas em UTI; menos de 0,1% morreram;
O maior percentual de internações (4,6%) e internações em UTI (1,8%) ocorreu entre crianças de 0 a 4 anos;
30% das crianças que adoeceram de forma mais grave tinham comorbidades associadas.
 

·         Crianças são carregadoras de vírus e tem capacidade de infectar muitas pessoas: no início da pandemia pensava-se que as infecções em crianças eram potencialmente graves devido a possibilidade de transmitirem para adultos de maneira “silenciosa”, sendo responsáveis por muitas mortes pela doença, mas muitos estudos mostraram que isso não ocorre como se pensava inicialmente e as crianças NÃO são responsáveis por piora do número de contaminações, sendo elas responsáveis por apenas 3% das transmissões entre crianças e 8% entre crianças e adultos. Com isso os estudos concluíram que os adultos são as principais fontes de infecção e propagação, enquanto as crianças propagam muito pouco. A maioria das crianças infectadas que estavam frequentando as aulas, foram infectadas nas próprias residências, muitas vezes infectadas pelos próprios pais;

 

·         Vacinação: alguns laboratórios estão testando a vacina em crianças na primeira infância. Sendo assim ainda não se conhece os resultados na vacinação em crianças até o atual momento;

 

·         Experiências de outros estados e países que retornaram as aulas: as crianças têm grande capacidade de se adaptar a situações novas e ao uso de protocolo de segurança necessários para a proteção delas e de seus colegas. Manter os cuidados de evitar aglomeração, manter distanciamento entre as carteiras, manter uso de máscaras e álcool gel e ambientes ventilados evitam grande parte das infecções, tanto em escolas como em qualquer outro ambiente tem evitado muito as contaminações. Importante que o afastamento entre alunos fique entre 1 e 1,5m de distância;

 

 

·         Cuidados e condutas efetivas na questão de prevenção de infecção: até o atual momento sabemos que os meios mais efetivos de evitar contaminação são: evitar aglomeração – ou seja, distanciamento pessoal e não lockdown necessariamente, uso de máscaras de forma eficiente (pano em dupla camada, cirúrgica ou PPF2), higienização das mãos (lavagem ou álcool gel) e ambientes com boa ventilação; há ainda a possibilidade de escalonamento de horários para diminuir a circulação de crianças no mesmo horário na escola.

 

·         Politização da doença: infelizmente no Brasil e ao redor do mundo aproveitou-se este momento para palanque político e polarização política, o que vai muitas vezes contra as evidências cientificas e atrapalha condutas baseadas em estudos científicos;

 

·         Distúrbios psicológicos e psiquiátricos: o isolamento social e a perda da rotina diária de convivência com outras pessoas têm aumentado muito a notificação de quadros de depressão, ansiedade e síndrome do pânico com necessidade de acompanhamento psicológico e psiquiátrico, além da necessidade de uso de medicações controladas, sendo que estudos feitos com adolescentes mostrou aumento no pensamento de ideação suicida e de tentativa de suicídio;

 

Unicef – agência da ONU que tem como objetivo proteger os direitos de crianças e adolescentes – utilizou o estudo como referência em um comunicado oficial no qual alerta sobre os “impactos devastadores no aprendizado, no bem-estar físico e mental e na segurança” das crianças em decorrência do período prolongado com escolas fechadas.

 

 

·         Aumento da desigualdade social: durante esse 1 ano e 2 meses de pandemia a Bahia foi o único estado brasileiro que não retornou às aulas presenciais em nenhum momento. As escolas particulares e as crianças de classe social mais abastada tiveram possibilidade de manter aulas online e muitos tiveram presença de professores particulares nesse período, mas as crianças de colégios de algumas prefeituras e do estado infelizmente não tiveram essa oportunidade, muito por conta de não terem acesso a internet ou dispositivos para assistir aulas (computador, tablet ou celular) ou pelas próprias escolas não disponibilizarem as aulas, aumentando demais os abismos entre educação particular e pública no estado que tem um dos piores desempenhos educacionais no país. A Bahia está no penúltimo lugar do desempenho dos estados no Brasil em 2020. Não podemos esquecer que há ainda a questão alimentar, considerando que muitas crianças têm como principal e mais equilibrada refeição a feita na escola. Houve aumento de quase 100% nas queixas de abusos sexuais e agressões contra crianças e adolescentes. A evasão escolar foi estimada com aumento de 8x do que nos anos anteriores. Um estudo mostra, também, que a exclusão afetou mais quem já vivia em situação vulnerável. Em relação às regiões, Norte (28,4%) e Nordeste (18,3%) apresentaram os maiores percentuais de crianças e adolescentes de 6 a 17 anos sem acesso à educação, seguidas por Sudeste (10,3%), Centro-Oeste (8,5%) e Sul (5,1%). A exclusão foi maior entre crianças e adolescentes pretos, pardos e indígenas, que correspondem a 69,3% do total de crianças e adolescentes sem acesso à Educação.

 

 

·         Impacto econômico: estudos mostram impacto econômico importante quando se mantém as escolas longos períodos fechados, afetando setores diretos e indiretos relacionados a escolas;

 

●       Há riscos para os professores em lecionar no período da pandemia? A chance de um professor se contaminar decorre mais do período em que passa fora da sala de aula convivendo com adultos do que na própria sala de aula convivendo com crianças e seguindo os protocolos de segurança. Estudos mostram que a taxa de transmissão de crianças para adultos é ao redor de 8%;

 

●       Educação é uma atividade essencial e escolas devem ser as últimas a serem fechadas e as primeiras a serem abertas. É importante iniciar dizendo que o risco de surtos em escolas está diretamente ligado às taxas de transmissão comunitária, como ocorre em qualquer outro ambiente – restaurantes,  academias, clubes e comércio em geral. As escolas não foram responsáveis por aumento nas taxas de contaminação nas comunidades.

 

·         A vacinação realmente é importante para o retorno às aulas presenciais? Como vimos anteriormente, as crianças são responsáveis por uma ínfima parte das contaminações e internações. Sendo assim, há possibilidade de retorno as aulas presenciais sem necessidade de vacinação maciça de professores e alunos, o que retardaria ainda mais o retorno às aulas do único estado brasileiro que não teve aulas presenciais durante toda a pandemia. O que precisamos é de protocolos de segurança nas escolas e regras rígidas de prevenção de contágio. Sabe-se que o uso de máscara protege muito bem contra a transmissão do Coronavírus, além do distanciamento físico e higienização de mãos, sendo essas medidas suficientes para evitar o contágio. Além desses cuidados já vimos que as crianças principalmente as menores transmitem e adoecem muito pouco. As vacinas não foram testadas em crianças. Somente agora, há um “braço” de pesquisa com a vacina da Pfizer e Oxford onde crianças estão sendo testadas. Pela escassez de vacinas e pela falta de estudos em crianças, elas não serão vacinadas num futuro próximo. Portanto, esperar pela vacinação das crianças para a retomada das aulas, trata-se de uma questão sem fundamento prático.

 

 

·         Quais as profissões que mais tem riscos de contaminação?

·         Dentistas e técnicos que trabalham com saúde bucal – 100%

·         Enfermagem – 97%

·         Médicos – 97%

·         Comissário de voo – 90%

·         Motoristas de ambulância – 84%

·         Agentes penitenciários – 83%

·         Cabelereiros e maquiadores – 73%

·         Motorista de ônibus – 70%

·         Entregadores – 70%

·         Caixa de banco – 69%

·         Operadores de supermercados – 66%

·         Operadores de trem e metro – 65%

·         Jornalistas – 52%

 

Todos esses profissionais tem contato físico próximo com os infectados e/ou estão em lugares de maior concentração de pessoas e com contato físico com pessoas potencialmente infectados, o que não é o caso dos professores.

 

 

A cada dia aparecem muitos estudos realizados em instituições de renome e com apreciação das sociedades de pediatria que corroboram a segurança do retorno as aulas presenciais e sem necessidade de aguardar a vacinação de professores e alunos. Todos os dados postados acima são baseados em estudos

 

Ainda vamos conviver um muito tempo com o coronavirus e precisamos entender que as medidas e protocolos de segurança serão necessários apesar da vacinação, sendo provavelmente vacinação anual devido as mutações do vírus assim como temos com os vírus da gripe. O que devemos é ter ambientes adequados para receber crianças e professores, com acesso a higiene e com ambientes ventilados e preocupação de cuidados gerais de limpeza dos ambientes. Devemos lembrar que muitas das crianças que deixam de ir à escola se torna mais vulneráveis para uso de drogas, violência e abuso sexual. O ensino é prioridade e não podemos mais perder tempo e manter as crianças (principalmente as de colégio publico) longe das escolas.

 

 

 

 

 

CONCLUSÃO

Conforme discutido acima, com embasamento em pesquisas científicas de conceituadas entidades globais e locais, e considerando que:

-          A escola aberta não aumenta os índices de transmissão do vírus;

-          As crianças são muito menos transmissoras de COVID do que adultos;

-          As crianças praticamente não são transmissoras entre si quando menores de 10 anos;

-          Crianças são as menos impactadas pelas reações severas de COVID;

-          Já estão comprovados os impactos na saúde física e emocional das crianças do Brasil e de nossa comunidade local;

-          As recomendações dos principais órgãos responsáveis pela educação e saúde das crianças no Brasil e no mundo são, sem exceção, de que as escolas sejam reabertas com urgência e que assim se mantenham (dentre eles: UNICEF, UNESCO, OMS, OECD, IE, SBP,);

-          Há impactos comprovados a médio e longo prazo no aprendizado dos alunos (cujo défict não poderá ser recuperado) e no aumento da evasão escolar;

-          Há impactos econômicos do aumento da desigualdade social, que inclusive prevê uma redução nos futuros ganhos salariais da “geração covid” e a diminuição a médio e longo prazo do PIB dos países em que as escolas permaneceram por mais tempo fechadas.

-          Ocorre ausência absoluta de estudos científicos que expliquem ou justifiquem o fato de TODOS os setores da economia estarem funcionando sem qualquer restrição, enquanto a escola permanece fechada;  

Sendo assim fica clara a necessidade de reabertura das escolas e que com uma estratégia bem implementada para protocolos para controle da COVID-19 é possível manter as escolas abertas sem consequências significativas na transmissão comunitária do vírus e sem risco para a comunidade escolar.

 

@dra.marianaterravasc

@escolas_abertassaj


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 Saúde em Foco com Dra. Mariana Terra 






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