Integrante do Conselho Deliberativo do clube baiano está entre os alvos centrais da Operação Khalas, que apura corrupção, sonegação fiscal e adulteração de combustíveis
A prisão preventiva do auditor fiscal Olavo José Gouveia Oliva, integrante do Conselho Deliberativo do Esporte Clube Vitória, ganhou destaque após a deflagração da Operação Khalas, realizada na última quinta-feira (21). A ação investiga um suposto esquema de corrupção, sonegação fiscal e adulteração de combustíveis que teria causado prejuízo estimado em R$ 400 milhões aos cofres públicos da Bahia.
Embora as investigações não tenham qualquer relação com as atividades esportivas do Vitória, a presença de um membro do Conselho Deliberativo do clube entre os principais alvos da operação chamou atenção. Olavo foi eleito em dezembro de 2025 pela chapa “Leão Colossal” para compor o conselho do rubro-negro baiano durante o triênio 2026-2028.
Segundo o Ministério Público da Bahia (MP-BA), o auditor fiscal é apontado como um dos investigados centrais da organização criminosa. Servidor concursado da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia (Sefaz-BA), ele atuava como coordenador do segmento de Petróleo e Combustíveis, área estratégica responsável pela fiscalização tributária do setor.
As apurações indicam que o grupo utilizava empresas e intermediários para ocultar a importação de produtos químicos empregados na fabricação clandestina de combustíveis. Os materiais eram destinados a instalações irregulares conhecidas como “batedeiras”, onde ocorria a mistura e adulteração dos produtos comercializados posteriormente no mercado.
Além de Olavo, outras duas pessoas tiveram a prisão preventiva decretada. Entre elas está Carolane Ribeiro, apontada pelas investigações como esposa do empresário Jailson Couto Ribeiro, conhecido como Jau Ribeiro, alvo da Operação Primus, realizada em 2025 e considerada a origem das investigações que resultaram na Operação Khalas.
Ao todo, foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e 13 mandados de busca e apreensão em Salvador, Feira de Santana, Camaçari e Candeias. Também foram afastados cautelarmente dois servidores municipais de Candeias suspeitos de envolvimento com o esquema.
Em nota, a Secretaria da Fazenda informou que colaborou com as investigações por meio da Inspetoria Fazendária de Investigação e Pesquisa (Infip) e que irá instaurar procedimentos administrativos para apurar a conduta dos servidores citados na operação.
Até o momento, o Esporte Clube Vitória não se manifestou oficialmente sobre a prisão do conselheiro. As autoridades ressaltam que as investigações se concentram exclusivamente nas atividades relacionadas ao suposto esquema no setor de combustíveis, sem qualquer ligação com a gestão ou as atividades do clube.
A Operação Khalas é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate à Sonegação Fiscal (Gaesf), do Ministério Público da Bahia, em conjunto com a Secretaria da Fazenda e a Polícia Civil, por meio do Núcleo Especializado de Combate aos Crimes Econômicos e contra a Ordem Tributária (Neccot/Draco). As investigações continuam e novos desdobramentos não estão descartados.
Redação: Vale FM








