A iniciativa surgiu após um pedido feito pelos presidentes da Uefa
A Federação Internacional de Futebol (Fifa) enfrenta novos desdobramentos após a tentativa frustrada de criar uma empresa para administrar direitos comerciais de competições da entidade com participação de investidores privados.
No início desta semana, a Fifa enviou uma carta aos presidentes das seis confederações continentais e também apresentou uma resposta ao processo movido pela União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) nos Estados Unidos.
Na carta, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, sinalizou disposição para utilizar parte das reservas financeiras da entidade em um novo programa de distribuição de recursos às 211 associações nacionais filiadas. Ele afirmou ter orientado o secretário-geral da organização, Mattias Grafström, a reunir as propostas para que sejam analisadas pelo Conselho da Fifa em reunião marcada para 15 de outubro.
A iniciativa surgiu após um pedido feito pelos presidentes da Uefa, Aleksander Ceferin, e da Confederação de Futebol da América do Norte, da América Central e do Caribe (Concacaf), Victor Montagliani. Os dois defenderam que cerca de US$ 2,1 bilhões das reservas da Fifa, estimadas em aproximadamente US$ 6 bilhões, fossem destinados às federações nacionais.
Infantino não definiu um valor para a eventual distribuição. A discussão ocorre meses antes da eleição para a presidência da Fifa, marcada para 18 de março. O prazo para registro de candidaturas termina em 18 de novembro.
A crise ganhou força após a proposta de criação da Fifa Football Enterprise (FFE), empresa que teria a função de administrar direitos comerciais de competições como a Copa do Mundo. O projeto previa a participação minoritária de investidores privados e estimava a empresa em US$ 20 bilhões, com a venda de 20% a investidores.
O plano foi anunciado em 28 de julho, mas acabou abandonado oficialmente poucos dias depois, em meio à reação contrária de federações e confederações. Entre as entidades que retiraram apoio estavam as federações da Inglaterra e da França. A Confederação Asiática de Futebol (AFC) também se posicionou contra a proposta.
O modelo eleitoral da Fifa estabelece que cada uma das 211 associações nacionais possui um voto na escolha do presidente, independentemente do tamanho ou da posição da seleção no ranking mundial.
Aleksander Ceferin tornou-se um dos principais críticos de Infantino no episódio. O presidente da Uefa já afirmou que não pretende disputar a presidência da Fifa, mas a entidade europeia entrou com uma ação judicial nos Estados Unidos relacionada ao projeto da FFE.
Em resposta ao processo, a Fifa classificou algumas alegações apresentadas pela Uefa como falsas ou enganosas e negou que Infantino tenha buscado obter benefício pessoal com a criação da empresa. A entidade também afirmou que a FFE dependeria da aprovação das associações-membro e do Conselho da Fifa e estaria submetida à supervisão dessas estruturas.
Nesta terça-feira (29), Ceferin voltou a criticar a condução da entidade durante uma apresentação na Assembleia Geral de Clubes Europeus. Ao citar o conto “A Nova Roupa do Rei”, de Hans Christian Andersen, o dirigente afirmou que “o rei está nu” e questionou o uso de termos como desenvolvimento, democratização e consulta para justificar determinadas decisões.
Da redação CSFM









