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12/12/2025 08:59

Turistas apontam insegurança no transporte e falta de melhorias no cais mesmo após mais de R$ 10 milhões arrecadados pela TUPA

O reajuste da Tarifa de Uso do Patrimônio do Arquipélago (TUPA) reacendeu as críticas sobre a falta de melhorias no acesso ao Morro de São Paulo. A Prefeitura de Cairu confirmou que o valor de entrada no destino turístico passará de R$ 50 para R$ 70 a partir de 20 de dezembro, chegando a R$ 90 em julho de 2026. Em Boipeba, a cobrança de R$ 50 começa na mesma data.

Embora o município justifique o aumento com base em custos ambientais, manutenção e serviços turísticos, moradores e visitantes contestam a medida. Dados da plataforma oficial mostram que, entre janeiro e novembro de 2025, a arrecadação ultrapassou R$ 10 milhões, valor que, segundo turistas, não se reflete em melhorias na estrutura de chegada.

A principal queixa é o estado do cais de desembarque, considerado antigo e com pouca estrutura. Visitantes relatam longas filas, falta de cobertura, desorganização nas chegadas, ausência de banheiros adequados e desgaste do acesso à vila após períodos de chuva. Há também constantes críticas às condições do transporte marítimo entre Valença e Morro de São Paulo, apontado como desconfortável, desgastado e sem fiscalização suficiente.

Comentários publicados nas redes sociais reforçam o sentimento de insegurança durante as travessias. Relatos mencionam barcos superlotados e veículos circulando pela ilha sem controle.

Em nota, a Prefeitura de Cairu afirmou que a TUPA é usada exclusivamente para custear serviços ligados ao turismo, incluindo limpeza urbana, fiscalização, proteção ambiental e ordenamento das praias e trilhas. Segundo a administração, na alta estação o arquipélago chega a produzir 25 toneladas de resíduos sólidos por dia. O município informou ainda que, em 2024, os gastos relacionados ao setor ultrapassaram R$ 17 milhões, gerando déficit superior a R$ 5,9 milhões, o que motivou o reajuste gradual da tarifa.

A gestão citou também que 2% da arrecadação será destinado ao Fundo Municipal de Turismo e prometeu ações como apoio à cooperativa de reciclagem, recuperação de áreas degradadas e melhorias em acessos e terminais.

Apesar da justificativa, a reação de moradores e turistas tem sido majoritariamente negativa. As críticas se concentram na falta de transparência sobre o uso dos recursos, no estado do cais, na ausência de melhorias visíveis e na sensação de insegurança no transporte. Empresários e guias afirmam que, mesmo com a expansão do turismo e o crescimento da arrecadação, o acesso ao Morro de São Paulo continua frágil e desorganizado, justamente na etapa inicial da experiência do visitante.

Com o novo reajuste prestes a vigorar, aumenta a pressão para que as melhorias prometidas sejam efetivamente realizadas e para que o retorno da TUPA seja percebido no que turistas mais cobram: estrutura adequada no cais, fiscalização das travessias e um acolhimento minimamente digno na chegada ao arquipélago.

Redação: Vale FM







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