Campanha chama atenção para lúpus, fibromialgia, Alzheimer e leucemia, destacando a importância do diagnóstico precoce e do tratamento contínuo
O mês de fevereiro é marcado pelas cores roxa e laranja, símbolos de uma campanha nacional de conscientização sobre doenças que afetam milhares de brasileiros: lúpus, fibromialgia, Alzheimer e leucemia. A iniciativa busca informar a população, combater o preconceito e incentivar o diagnóstico precoce, além de reforçar a necessidade de acompanhamento médico contínuo.
A cor roxa representa a luta contra o lúpus, a fibromialgia e o mal de Alzheimer. Já o laranja foi incorporado à campanha para ampliar a visibilidade da leucemia, um tipo de câncer que atinge as células do sangue. Ao longo do mês, hospitais e instituições de saúde promovem ações educativas voltadas a pacientes, familiares e à comunidade em geral.
Lúpus exige atenção e acompanhamento constante
Segundo informações do Ministério da Saúde, o lúpus eritematoso sistêmico (LES) é a forma mais comum e mais grave da doença, atingindo cerca de 70% dos pacientes diagnosticados com lúpus. A condição afeta principalmente mulheres, representando nove em cada dez casos, com maior incidência na idade fértil.
De acordo com a médica reumatologista Lilian Tereza Lavras Costallat, do Hospital de Clínicas da Unicamp, o lúpus é uma doença crônica e complexa, sem uma causa única definida. “Fatores genéticos, hormonais, imunológicos e infecciosos estão associados ao desenvolvimento da doença”, explica a especialista.
O lúpus ocorre quando o organismo produz anticorpos em excesso, que passam a atacar tecidos e órgãos saudáveis, podendo provocar inflamações nos rins, pulmões, pele, articulações e no sistema nervoso. O diagnóstico envolve avaliação clínica detalhada e exames laboratoriais, como alterações no hemograma, presença de proteína na urina e identificação de autoanticorpos, especialmente o fator antinúcleo (FAN).
Ainda segundo a médica, o tratamento evoluiu nos últimos anos e deve ser individualizado. Medicamentos como a hidroxicloroquina fazem parte do tratamento padrão, podendo ser associados a corticosteroides ou imunobiológicos, conforme a gravidade do quadro. A orientação inclui evitar exposição solar excessiva, manter alimentação equilibrada, praticar atividade física moderada e seguir corretamente o tratamento prescrito.
Fibromialgia compromete a qualidade de vida
A fibromialgia também integra a campanha do Fevereiro Roxo. A síndrome é caracterizada por dores difusas pelo corpo, principalmente nos músculos e tendões, além de fadiga intensa, distúrbios do sono, ansiedade e depressão. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, cerca de 3% da população brasileira convive com a doença, sendo a maioria mulheres.
O médico reumatologista Manoel Barros Bértolo, do Hospital de Clínicas da Unicamp, explica que a fibromialgia não possui causa definida e não é diagnosticada por exames específicos. “O diagnóstico é clínico e feito após excluir outras doenças. Trata-se de um distúrbio da modulação da dor, relacionado a alterações no sistema nervoso central”, afirma.
O tratamento envolve abordagem multidisciplinar, com fisioterapia, exercícios físicos regulares, medicamentos para controle da dor e acompanhamento psicológico ou psiquiátrico. A adoção de hábitos de vida saudáveis também é parte fundamental do cuidado.
Conscientização como ferramenta de cuidado
A campanha Fevereiro Roxo e Laranja reforça que informação é essencial para reduzir atrasos no diagnóstico e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Ao dar visibilidade a essas doenças, a iniciativa contribui para que a população reconheça sintomas, busque atendimento médico e compreenda a importância do tratamento contínuo.
Redação: Vale FM









