Decisão do STF cita continuidade de crimes, estrutura organizada e tentativa de intimidar críticos, incluindo jornalistas
A nova prisão do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, trouxe à tona novos detalhes da investigação conduzida pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero. A medida foi determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Segundo a decisão, divulgada nesta quarta-feira (4), há indícios de que o grupo investigado mantinha uma estrutura organizada voltada para crimes financeiros, corrupção de agentes públicos e monitoramento de pessoas consideradas críticas às atividades do banco, incluindo jornalistas.
A investigação também aponta que, mesmo após uma primeira prisão em novembro de 2025, o empresário teria mantido atividades consideradas ilegais.
Continuidade das atividades após primeira prisão
De acordo com a Polícia Federal, novos elementos indicam que as irregularidades continuaram mesmo após a libertação do empresário, que havia sido preso na primeira fase da operação e colocado em liberdade com uso de tornozeleira eletrônica.
A decisão do ministro do STF afirma que a organização teria seguido ocultando recursos bilionários em nome de terceiros e mantendo operações financeiras suspeitas, apesar das medidas judiciais adotadas anteriormente.
Estrutura organizada para diferentes funções
A investigação aponta que o grupo atuava de forma estruturada e com divisão de tarefas. Segundo o processo, o esquema seria formado por quatro núcleos principais:
- núcleo financeiro
- núcleo de corrupção institucional
- núcleo de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro
- núcleo de intimidação e obstrução da Justiça
No suposto esquema, Vorcaro seria o líder do grupo. O empresário Fabiano Zettel é citado como responsável por operações financeiras e movimentações de recursos. Já Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Felipe Mourão, teria coordenado atividades de monitoramento e pressão contra críticos. O policial federal aposentado Marilson Roseno é mencionado como integrante da área de coleta de informações.
Contatos com ex-servidores do Banco Central
A investigação também identificou a participação de dois ex-servidores do Banco Central do Brasil. Eles teriam mantido contato frequente com o empresário e prestado uma espécie de consultoria informal.
Segundo a Polícia Federal, os dois participavam de um grupo de mensagens com Vorcaro e, em troca de pagamentos, teriam fornecido informações e orientações estratégicas sobre processos administrativos envolvendo o Banco Master.
Os ex-servidores Paulo Sérgio de Souza e Bellini Santana são citados como responsáveis por orientar o banqueiro sobre procedimentos e argumentos que poderiam ser utilizados em reuniões com dirigentes da instituição.
Grupo utilizado para vigilância
Outro ponto citado na investigação é a existência de um grupo chamado “A Turma”. De acordo com os investigadores, o núcleo seria responsável por coletar informações sigilosas, monitorar pessoas e agir contra indivíduos considerados prejudiciais aos interesses da organização.
Acesso a sistemas restritos
Segundo o relatório da Polícia Federal, integrantes do grupo teriam conseguido acessar bases de dados restritas de instituições de segurança pública. Entre os sistemas citados estão registros da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais como o FBI e a Interpol.
A investigação aponta que o acesso teria sido feito com o uso indevido de credenciais pertencentes a terceiros.
Mensagens com ameaças a jornalista
Entre os diálogos analisados pela Polícia Federal, aparecem mensagens com ameaças direcionadas a um jornalista que havia publicado informações consideradas negativas para o empresário. O profissional citado é o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Nas conversas, Vorcaro teria sugerido uma agressão física contra o jornalista após a divulgação de reportagens relacionadas ao caso.
Monitoramento de pessoas próximas
A decisão também menciona mensagens em que o empresário pede a coleta de informações sobre pessoas de seu convívio. Em um dos diálogos, ele solicita dados pessoais de uma funcionária que, segundo ele, teria feito ameaças.
Para os investigadores, o episódio reforça a suspeita de uso da estrutura do grupo para monitorar indivíduos considerados adversários.
Participação de familiar na movimentação financeira
Durante o cumprimento de mandados, um dos alvos da operação foi Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Ele é apontado como responsável por atuar na movimentação de recursos e na organização de pagamentos ligados ao grupo investigado.
Mensagens encontradas em celular apreendido
Parte das evidências que levaram à nova prisão surgiu após a análise de um celular apreendido em fase posterior da operação. De acordo com o processo, o aparelho continha mensagens que tratam de pagamentos, estratégias de monitoramento e ações contra críticos.
Ocultação de mais de R$ 2 bilhões
Outro ponto destacado na decisão judicial é a suspeita de ocultação de cerca de R$ 2,2 bilhões pertencentes a vítimas do banco. O valor foi bloqueado em uma conta ligada ao pai do empresário, Henrique Moura Vorcaro, mantida em uma empresa de gestão financeira.
As empresas envolvidas também são investigadas por possível participação no esquema de fraudes relacionadas ao Banco Master.
Da redação: Vale FM








