Caminhoneiros afirmam que chegaram a demorar 22h para atravessar um dos trechos do desvio
Motoristas de caminhões e carretas estão enfrentando horas de espera e muitos atoleiros no desvio da BR-101 que dá acesso à ponte sobre o Rio Jequitinhonha, em Itapebi. Com as chuvas dos últimos dias, o trecho de terra ficou tomado por lama, veículos atravessados na pista e congestionamentos que se estendem por vários quilômetros.
O desvio, utilizado principalmente por veículos pesados, não possui pavimentação e depende de manutenção constante para garantir condições mínimas de tráfego. No entanto, o trecho permanece sem qualquer serviço regular desde que o contrato da empresa responsável pelas obras foi encerrado.
Na prática, os caminhoneiros já vinham enfrentando um cenário de abandono total, inclusive no trecho de Santa Maria Eterna, distrito de Belmonte, amplamente noticiado pela rádio Costa Sul FM (relembre). Vídeos divulgados nas redes sociais mostram carretas atoladas, caminhões bloqueando a passagem e motoristas aguardando por longos períodos até que algum veículo consiga sair da lama. Em um dos relatos, um caminhoneiro afirmou que precisou esperar quase 22 horas para conseguir atravessar um dos trechos do desvio. Situações como essa, meses atrás acabaram causando revolta e interdição da pista não uma, mas três vezes em apenas alguns meses (relembre).

Estado atual do desvio da ponte sobre o Rio Jequitinhonha. Imagem: Redes Sociais
A empresa responsável pela manutenção do local informou que o contrato com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) foi encerrado. Com isso, a responsabilidade pela estrada voltou para o governo da Bahia, por meio da Secretaria de Infraestrutura do Estado.
Mesmo assim, motoristas relatam que não há presença de equipes de manutenção atuando no trecho, apesar da importância estratégica da via. O desvio é atualmente uma das poucas alternativas para caminhões e carretas que precisam seguir viagem atravessando para o sul e extremo sul do Estado, enquanto a ponte sobre o Rio Jequitinhonha opera com restrições e a nova ponte é construída a passos de tartaruga.
O cenário expõe a falta de manutenção do desvio e levanta críticas à ausência de ações efetivas tanto do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes quanto do governo estadual. O trecho passou a concentrar grande fluxo de veículos pesados justamente por causa das restrições na ponte principal, o que exige intervenções constantes para manter a trafegabilidade. E agora, após o grande volume de chuvas que caiu na região nos últimos dias, o desvio está praticamente intransitável. Um verdadeiro lamaçal de ponta à ponta.
Vale lembrar que a ponte sobre o Rio Jequitinhonha chegou a ser totalmente interditada em 2025 após a identificação de problemas estruturais (relembre). Depois da liberação parcial do tráfego, a travessia passou a funcionar sob monitoramento técnico e com limitações para determinados tipos de veículos. Depois, voltou a ser interditada apenas alguns dias depois da liberação (relembre).
Caminhoneiros que dependem do desvio continuam enfrentando dificuldades diárias para atravessar o trecho, que permanece sem manutenção adequada mesmo diante do aumento do fluxo de veículos pesados na região.
Da Redação CSFM








