Investigações apontam possível rede de influência envolvendo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, comunicação estratégica e contratos milionários antes da liquidação do banco
O chamado “Caso Master” teve novos desdobramentos envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, após a Polícia Federal reunir mensagens e documentos que aprofundam a investigação sobre a atuação do antigo comando do Banco Master.
Segundo mensagens extraídas de celulares apreendidos pela PF e enviadas ao Supremo Tribunal Federal (STF), Vorcaro teria orientado um interlocutor a estruturar pagamentos mensais a um site de esquerda, com o objetivo de “bater nos inimigos” e reduzir a repercussão de conteúdos negativos relacionados ao banco. O material foi revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmado pela CNN.
Nos diálogos, também há referências a negociações financeiras envolvendo repasses mensais a editores e intermediários, além de menções a possíveis acordos de patrocínio e produção de conteúdo. A PF investiga se esse modelo fazia parte de uma estratégia mais ampla de influência na opinião pública em favor do Banco Master.
O site citado nas conversas negou qualquer irregularidade, afirmou que não integra investigações formais e disse que as mensagens divulgadas não têm comprovação de autenticidade ou cadeia de custódia verificada.
Em paralelo, outro eixo da investigação aponta que o Banco Master teria movimentado valores milionários em consultorias e serviços contratados antes da liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central. De acordo com dados da Receita Federal, obtidos pela CNN, a instituição pagou cerca de R$ 25,8 milhões a empresas ligadas a ex-presidentes do Banco Central entre 2022 e 2025.
Entre os nomes citados estão Henrique Meirelles, Gustavo Loyola e Pedro Malan, que prestaram serviços de consultoria econômica e financeira ao banco em diferentes períodos. Os valores incluem análises técnicas, pareceres e avaliações de operações financeiras e judiciais.
Além disso, a PF também identificou diálogos que indicam a contratação de influenciadores digitais e páginas em redes sociais para impulsionar conteúdos favoráveis ao banco e atacar o Banco Central, especialmente no período que antecedeu e sucedeu a liquidação da instituição. A investigação aponta ao menos 35 perfis possivelmente envolvidos em publicações coordenadas.
A defesa de Vorcaro não se manifestou sobre os novos elementos. O caso segue em análise no STF e faz parte de um conjunto de investigações que apuram possíveis irregularidades financeiras, influência em comunicação digital e relações institucionais do antigo comando do Banco Master.
Da redação: Vale FM







