## Governo libera renegociação e uso do FGTS, mas dívida pode continuar por anos
O governo federal lançou nesta segunda-feira o Novo Desenrola Brasil com um discurso sedutor: limpar o nome de milhões de brasileiros, reduzir juros e oferecer uma “nova chance” para quem está endividado. No papel, a proposta parece perfeita. Descontos de até 90%, parcelas em até 48 meses, juros de 1,99% ao mês e até a possibilidade de usar parte do FGTS para quitar débitos.
O trabalhador brasileiro passa anos construindo seu Fundo de Garantia pensando em segurança, demissão, emergência ou futuro. Agora, parte desse dinheiro poderá ser usada para quitar contas de cartão de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais. Em outras palavras: um patrimônio criado para proteger o trabalhador poderá ser usado para cobrir erros do sistema bancário, juros abusivos e o descontrole de um mercado de crédito que há anos empurra famílias para o endividamento.
O programa permite usar até 20% do saldo do FGTS ou até R$ 1 mil para abater dívidas. Na prática, o cidadão usa uma reserva criada para proteger seu futuro para apagar incêndios financeiros do presente. E, mesmo depois disso, continua assumindo um novo compromisso com bancos por até quatro anos.
A promessa é limpar o nome. Mas limpar o nome não significa recuperar a liberdade financeira. O nome pode sair dos cadastros de inadimplência, mas a parcela continua chegando todos os meses.
Enquanto isso, instituições financeiras terão garantia pública de até R$ 15 bilhões para reduzir riscos nas renegociações. Ou seja, se houver problemas, existe proteção do Estado. E isso levanta outro debate: quem está sendo socorrido primeiro, o brasileiro endividado ou o sistema financeiro?
O governo afirma que o objetivo é devolver dignidade às famílias brasileiras. Mas dignidade financeira não nasce de novos contratos, nasce de renda, emprego estável, controle dos preços e poder de compra.
Para muitos brasileiros, esse programa pode parecer uma saída. Mas o perigo está justamente aí: quando o desespero encontra crédito fácil, a conta quase sempre chega depois, e costuma chegar mais pesada.
Antes de assinar qualquer renegociação, o alerta é simples: dívida com desconto continua sendo dívida. E usar dinheiro do próprio FGTS para continuar preso ao sistema financeiro pode ser, para muita gente, apenas trocar o sufoco de hoje por a angústia dos próximos anos.
Redação: Vale FM







