Alta do petróleo pressiona preços e leva estimativa oficial ao teto da meta definida para 2026
O Ministério da Fazenda revisou para cima a projeção oficial da inflação no Brasil para este ano e passou a estimar índice de 4,5%, exatamente o limite máximo da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. A atualização foi divulgada nesta segunda-feira (18), no novo Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica.
Segundo a equipe econômica, a mudança nas projeções está diretamente ligada ao aumento dos preços internacionais do petróleo em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio. O barril da commodity ultrapassou os 110 dólares nos últimos dias, cenário que elevou a preocupação sobre impactos no custo dos combustíveis e em diversos setores da economia.
Apesar da revisão da inflação, o governo manteve em 2,3% a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto para este ano. A projeção para 2027 também foi preservada em 2,6%.
O documento divulgado pela Secretaria de Política Econômica aponta que parte da pressão causada pela disparada do petróleo poderá ser compensada pela valorização do real frente ao dólar e por medidas adotadas pelo governo federal para reduzir impactos sobre os preços dos combustíveis ao consumidor.
A nova estimativa coloca a inflação exatamente no teto do sistema de metas contínuas adotado no país, que trabalha com centro de 3% e intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
Para o próximo ano, a projeção oficial também foi ajustada. A expectativa de inflação para 2027 passou de 3% para 3,5%.
O relatório ainda aponta desaceleração gradual da atividade econômica nos próximos trimestres, especialmente por causa dos efeitos da política monetária mais restritiva, com juros elevados. Mesmo assim, a equipe econômica prevê recuperação parcial da indústria no fim do ano.
Enquanto o governo mantém projeções mais otimistas, o mercado financeiro trabalha com números diferentes. Segundo o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, analistas estimam inflação próxima de 4,92% e crescimento econômico de 1,85% em 2026.
Outro ponto destacado no boletim foi o impacto positivo da alta do petróleo sobre a arrecadação federal. Pelos cálculos da equipe econômica, o aumento dos preços internacionais pode gerar aproximadamente R$ 8,5 bilhões mensais em receitas ligadas ao setor petrolífero, incluindo royalties e tributos federais.
Fonte: Agência Brasil








