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01/06/2026 15:55

A dependência química está entre os fatores mais associados à desestruturação familiar, violência doméstica, abandono, endividamento, criminalidade, acidentes de trânsito e mortes evitáveis.

O avanço do consumo de drogas ilícitas e do alcoolismo continua produzindo impactos profundos na vida de milhões de brasileiros. Além das consequências diretas para a saúde física e mental dos usuários, a dependência química está entre os fatores mais associados à desestruturação familiar, violência doméstica, abandono, endividamento, criminalidade, acidentes de trânsito e mortes evitáveis.

Crack, cocaína, drogas sintéticas e outras substâncias de alto potencial viciante costumam provocar alterações severas no comportamento, perda de vínculos afetivos, comprometimento cognitivo e deterioração progressiva das relações familiares. Em muitos casos, a dependência transforma completamente a rotina de pais, mães, filhos e irmãos, que passam a conviver com ameaças, furtos, desaparecimentos, agressões e sucessivas tentativas de tratamento.

Uma das histórias que chamou atenção nos últimos anos foi a de uma jovem que passou cinco anos sem saber se sua mãe, dependente química, estava viva ou morta após ela migrar para a região da Cracolândia, em São Paulo (SP). Durante esse período, praticamente todo o contato familiar foi perdido. A dependência levou ao rompimento dos vínculos e ao desaparecimento da mulher das redes familiares por vários anos.

Outro relato recente mostrou o caso de um adolescente que passou a manipular familiares para conseguir dinheiro para drogas, ameaçando cometer suicídio e vendendo bens pessoais para comprar entorpecentes. Segundo o relato, após migrar para o crack, o jovem passou a furtar cartões bancários da própria mãe, destruindo o ambiente familiar.

E ainda existem os dependentes adultos, que permanecem décadas presos ao ciclo das drogas. Em um dos relatos divulgados por uma emissora nacional de grande relevância, um homem com quase 70 anos continuava enfrentando recaídas relacionadas ao consumo de cocaína, o levando a acumular dívidas, problemas de saúde e sucessivas internações. Os familiares dele descreveram a situação em anos de desgaste emocional, sofrimento psicológico e destruição financeira provocados pela dependência do ente querido.

E, dentre as drogas mais pesadas, o crack é considerado uma das mais devastadoras devido ao seu elevado potencial de dependência. Em muitos usuários, a fissura intensa provoca perda rápida do controle sobre o consumo, favorecendo situações de vulnerabilidade extrema, rompimento familiar e exposição à violência.

Contudo, além das drogas ilícitas, uma outra substância bastante comum é responsável por enormes danos sociais, e é totalmente legalizada no mundo todo: o álcool.

Embora culturalmente aceito em grande parte da sociedade, o consumo abusivo de bebidas alcoólicas aparece entre os principais fatores de risco para doenças, acidentes, homicídios, suicídios e mortes no trânsito. Dados do Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (OBID), vinculado ao Ministério da Justiça, mostram que o álcool é a substância psicoativa mais consumida no Brasil e uma das maiores responsáveis por impactos econômicos e sociais no país.

Segundo os dados oficiais, cerca de 63,6% dos brasileiros adultos já consumiram álcool, enquanto aproximadamente um em cada três adultos pratica episódios de consumo excessivo. O levantamento aponta ainda que um em cada nove brasileiros já apresenta critérios para transtorno relacionado ao uso de álcool.

Os reflexos aparecem diretamente nos hospitais e no sistema público de saúde. O governo federal estima que os gastos relacionados ao consumo de álcool ultrapassem R$ 19 bilhões por ano, incluindo internações, tratamentos, afastamentos do trabalho, aposentadorias precoces e perdas de produtividade. Desse total, mais de R$ 1 bilhão corresponde a custos diretos do Sistema Único de Saúde (SUS).

O álcool também está entre os principais fatores associados às mortes violentas no país. Estudos citados pelo Ministério da Justiça indicam que a substância aparece com frequência entre vítimas de acidentes de trânsito, homicídios e outras causas externas. Pesquisadores observam que o consumo de álcool reduz reflexos, altera a percepção de risco e aumenta significativamente a gravidade dos acidentes.

Dados divulgados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostram que somente em 2025 as rodovias federais brasileiras registraram mais de 72 mil acidentes e mais de 6 mil mortes. Embora nem todos estejam ligados ao álcool, as autoridades apontam a embriaguez ao volante como um dos principais fatores de risco para colisões graves e fatais.

Além dos acidentes, o alcoolismo aparece frequentemente associado a casos de agressões, violência doméstica, homicídios e conflitos familiares.

Os impactos também alcançam diferentes gerações. Filhos de dependentes químicos frequentemente convivem com abandono emocional, instabilidade financeira, violência e dificuldades psicológicas que podem permanecer durante toda a vida adulta. Diversos estudos apontam maior incidência de depressão, ansiedade e traumas entre familiares de usuários dependentes.

No campo da saúde pública, especialistas alertam que a dependência química não afeta apenas o usuário. Ela produz uma rede de consequências que envolve famílias inteiras, sistemas de saúde, segurança pública, assistência social e economia.

Enquanto comunidades terapêuticas, clínicas de reabilitação e programas de tratamento tentam ampliar o atendimento aos dependentes, o crescimento do consumo de drogas e do alcoolismo continua sendo tratado como um dos maiores desafios sociais do país e do mundo.

Para profissionais que atuam no combate à dependência, a prevenção ainda é considerada a principal ferramenta. O fortalecimento da família, o acompanhamento psicológico, a educação preventiva nas escolas e o acesso ao tratamento especializado aparecem entre as estratégias mais defendidas por especialistas para reduzir um problema que continua destruindo vidas silenciosamente em milhares de lares brasileiros todos os anos.

 

Da Redação CSFM







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