Notícias

02/06/2026 09:59

Os ministros analisarão embargos de declaração apresentados por empresas e entidades da sociedade civil.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, marcou para o dia 10 de junho o julgamento dos recursos apresentados contra a decisão da Corte que ampliou as responsabilidades das plataformas digitais e de outros agentes que atuam no ambiente virtual.

Os ministros analisarão embargos de declaração apresentados por empresas e entidades da sociedade civil. Esse tipo de recurso é utilizado para solicitar esclarecimentos sobre possíveis omissões, contradições, obscuridades ou imprecisões em uma decisão judicial, sem alterar, em regra, o mérito do julgamento.

A discussão tem origem na decisão do STF que declarou parcialmente inconstitucional o artigo 19 do Marco Civil da Internet. O entendimento da Corte ampliou as hipóteses de responsabilização das plataformas por conteúdos publicados por terceiros e estabeleceu novas obrigações relacionadas à moderação de conteúdo.

Antes da decisão, as redes sociais somente poderiam ser responsabilizadas por conteúdos de terceiros após o descumprimento de uma ordem judicial para remoção da publicação, salvo exceções já previstas em lei, como casos de nudez não consentida e violação de direitos autorais.

Com a nova interpretação, o STF passou a exigir atuação mais ativa das plataformas em situações envolvendo conteúdos relacionados a crimes antidemocráticos, terrorismo, racismo e induzimento ao suicídio, entre outros temas. Em determinados casos, as empresas poderão ser responsabilizadas por falhas sistêmicas na moderação. Já nos crimes contra a honra, a regra anterior foi mantida.

O julgamento dos recursos ocorre após o governo federal publicar decretos que regulamentam parte das obrigações impostas às plataformas digitais. As normas atribuíram à Agência Nacional de Proteção de Dados a função de fiscalizar o cumprimento das novas regras pelas empresas de tecnologia.

Os decretos foram publicados em 21 de maio e estabelecem prazo de 60 dias para entrada em vigor. Segundo o governo, a regulamentação busca dar efetividade à decisão do STF e definir mecanismos de fiscalização das obrigações impostas às plataformas.

Representantes do setor digital, por outro lado, afirmam que a regulamentação pode ampliar a insegurança jurídica enquanto os recursos ainda aguardam julgamento definitivo. Já o Comitê Gestor da Internet no Brasil avaliou que a regulamentação pode contribuir para a aplicação das determinações fixadas pelo Supremo, mas observou que eventuais mudanças decorrentes da análise dos recursos poderão exigir ajustes nos decretos já publicados.

O julgamento será realizado no plenário físico do STF e poderá esclarecer pontos considerados pendentes na decisão que redefiniu as regras de responsabilidade das plataformas digitais no Brasil.

 

Fonte: BN
 
 
 







RedeRBR
Av. Rio Branco, nº 741- Centro - Canavieiras/BA. CEP - 45.860-000
Tel.: (73) 3284-3905 - A Rádio que você ouve, a rádio que você FAZ!
© 2010 - Rádio Costa Sul FM - Todos os direitos reservados.