Relatório do Cimi aponta aumento de 22% nas mortes em relação a 2024 e mostra que conflitos territoriais e episódios de violência continuam em 2026.
O Brasil registrou 258 assassinatos de indígenas em 2025, segundo relatório do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) divulgado nesta quinta-feira (13). O número é 22% maior que o registrado em 2024, quando foram contabilizadas 211 mortes. Roraima, com 82 casos, Amazonas, com 47, e Mato Grosso do Sul, com 37, concentraram a maior parte dos registros (Veja aqui).
O levantamento também aponta 215 suicídios de indígenas em 2025, o maior número da série histórica acompanhada pelo Cimi. Entre as vítimas, 78% tinham menos de 30 anos. Outro dado chama atenção: 1.024 crianças indígenas de até quatro anos morreram no período, sendo 586 mortes classificadas como decorrentes de causas evitáveis, entre elas doenças respiratórias, infecções e desnutrição.
Na área de violência contra a pessoa, foram registrados ainda 38 tentativas de assassinato, 18 ameaças de morte, 27 outras ameaças, 33 casos de lesão corporal, 25 estupros e 46 ocorrências de racismo e discriminação étnico-cultural.
O Cimi relaciona parte importante da violência aos conflitos pela terra. Em 2025, foram registrados 1.276 casos de violência contra o patrimônio indígena, além de invasões, exploração ilegal de recursos naturais e disputas por direitos territoriais.
O relatório aponta que 1.443 terras e reivindicações territoriais indígenas estavam em algum estágio de regularização, enquanto centenas ainda dependiam de providências administrativas.
O cenário chama atenção porque, mesmo com ações de desintrusão, operações de fiscalização e medidas anunciadas pelo governo federal nos últimos anos, os conflitos e episódios de violência continuam ocorrendo nos territórios. Para o Cimi, a demora na regularização fundiária mantém comunidades expostas a invasões e disputas.
Ainda não existe um balanço nacional consolidado de assassinatos de indígenas em 2026. Mas novos casos já foram registrados.
Em 1º de maio, o vice-cacique Givaldo Santos, dos povos Kaiowá e Guarani, foi assassinado na Reserva Taquaperi, em Coronel Sapucaia, Mato Grosso do Sul.
Em 17 de julho, o agente de saúde indígena Geovane Yanomami foi morto a tiros dentro da Terra Indígena Yanomami, em Roraima. O caso levou o Senado a discutir medidas de segurança para profissionais que trabalham em áreas indígenas.
Dois dias depois, em 19 de julho, o indígena Gedequias Pereira Araújo Guajajara, de 35 anos, foi morto a tiros nas proximidades da Aldeia Jerusalém, no território Cana Brava, no Maranhão. Um suspeito foi preso durante as investigações.
No extremo sul da Bahia, comunidades Pataxó enfrentaram novos episódios de tensão em 2026. Em fevereiro, indígenas da Terra Indígena Comexatibá, em Prado, denunciaram ataques durante conflitos envolvendo áreas retomadas. Houve relatos de disparos, ameaças e cerco às estradas de acesso às comunidades.
Organizações indígenas também denunciaram um caso de suposta tortura de um adolescente Pataxó durante uma operação policial. O episódio permanece tratado como denúncia pelas entidades que o divulgaram.
A região enfrenta uma disputa histórica pela regularização das terras. Embora a Terra Indígena Comexatibá tenha sido declarada de posse permanente Pataxó pelo Ministério da Justiça em 2025, os conflitos continuaram no ano seguinte.
Os números do Cimi colocam em evidência um desafio que permanece mesmo diante das ações anunciadas pelo poder público. A existência de operações e medidas de proteção não tem sido suficiente para impedir que mortes, ameaças e conflitos continuem sendo registrados em diferentes regiões do país.
A situação também mostra que a questão indígena não se resume à demarcação. Segurança, fiscalização, saúde e proteção das comunidades dependem da atuação contínua do Estado nos territórios.
Os registros de 2026, por outro lado, mostram que a violência permanece presente enquanto processos territoriais continuam pendentes e comunidades seguem expostas a conflitos.
Redação: Vale FM









