A ação foi determinada pela Corregedoria Nacional de Justiça e está relacionada a uma apuração sobre a atuação do magistrado em processos de interesse do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com apoio da Polícia Federal (PF), realizou nesta quinta-feira (24) uma operação no gabinete do desembargador federal Newton Pereira Ramos Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), em Brasília. A ação foi determinada pela Corregedoria Nacional de Justiça e está relacionada a uma apuração sobre a atuação do magistrado em processos de interesse do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Newton Ramos aparece em mensagens extraídas do celular de Vorcaro como integrante da chamada “Turma do KN”, expressão que, segundo os investigadores, faria referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques. O desembargador já havia atuado como juiz auxiliar do ministro.
A operação desta quinta-feira é tratada tecnicamente como uma correição extraordinária. Durante a diligência, foram recolhidos documentos e materiais armazenados em computadores que podem auxiliar na apuração conduzida pelo CNJ. O procedimento corre sob sigilo.
A investigação também analisa a atuação de Newton Ramos em processos envolvendo precatórios relacionados ao setor sucroalcooleiro. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o magistrado teria proferido decisões favoráveis aos interesses do Banco Master em processos envolvendo a Usina Cansanção de Sinimbu, em Alagoas.
As apurações também chegaram a um contrato de honorários advocatícios firmado pela esposa do desembargador, a advogada Camila Ramos, com o Banco Master. O valor informado pelas reportagens varia conforme a fonte, entre R$ 427 milhões e R$ 470 milhões, relacionado à atuação em disputas envolvendo precatórios do setor sucroalcooleiro.
Mensagens encontradas no celular de Vorcaro também indicam que Newton Ramos teria feito intermediações envolvendo pedidos atribuídos a Nunes Marques, incluindo solicitações relacionadas a hospedagem. Registros mencionados nas reportagens apontam ainda que Vorcaro teria custeado hospedagens para pessoas ligadas ao magistrado durante o Carnaval de 2025.
Kassio Nunes Marques nega ter mantido conversas com Daniel Vorcaro e afirma que nunca autorizou terceiros a falar em seu nome. A defesa ou assessoria de Camila Ramos, por sua vez, informou que ela presta serviços ao Banco Master desde 2023, principalmente em processos cíveis e tributários, e negou que a hospedagem tenha envolvido qualquer contrapartida.
A operação ocorre em meio às investigações relacionadas ao Banco Master e aos dados encontrados no celular de Daniel Vorcaro. O CNJ também adotou, na quarta-feira (23), medidas envolvendo 16 precatórios que somavam aproximadamente R$ 4,7 bilhões.
A apuração sobre Newton Ramos continua sob responsabilidade da Corregedoria Nacional de Justiça, com apoio da Polícia Federal. Até o momento, a operação desta quinta-feira tem caráter investigativo e não representa, por si só, condenação do desembargador.
Da Redação CSFM









