Com a alta, o preço médio passou de R$ 5,585 para R$ 6,242 por litro.
O preço do querosene de aviação (QAV), combustível usado por aviões e helicópteros, aumentou novamente no Brasil. A Petrobras reajustou em 11,76%, em média, o valor cobrado das distribuidoras a partir desta quinta-feira (1º). Com a alta, o preço médio passou de R$ 5,585 para R$ 6,242 por litro.
Para entender o que isso significa, é preciso lembrar que o QAV é um dos principais custos das companhias aéreas. O combustível é vendido pela Petrobras às distribuidoras, que fazem o transporte e o fornecimento para as empresas que abastecem as aeronaves nos aeroportos. Portanto, o reajuste anunciado pela Petrobras não significa que a passagem aérea subirá automaticamente 11,76%.
O preço de uma passagem depende de vários fatores, como a procura por voos, a quantidade de assentos disponíveis, concorrência entre empresas, câmbio, impostos, taxas aeroportuárias e outros custos. O combustível, porém, tem um peso importante nessa conta. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), antes da atual crise no Oriente Médio, o QAV representava cerca de 30% das despesas operacionais das companhias aéreas brasileiras. Depois da alta do combustível, esse percentual ultrapassou 45%, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas.
O novo reajuste também não é um aumento isolado. O preço do QAV havia subido, em média, cerca de 13,9% em setembro. Em agosto, também houve alta, depois de reduções registradas em junho e julho. Desde 1º de março, o preço médio passou de R$ 3,592 para R$ 6,242 por litro, uma alta acumulada de aproximadamente 74%.
Por que o combustível de avião está subindo?
A principal explicação está no mercado internacional de petróleo e nos efeitos da guerra no Oriente Médio. Segundo a Petrobras, o agravamento das tensões na região elevou as cotações internacionais do querosene de aviação.
Um dos pontos mais importantes nesse cenário é o Estreito de Ormuz, passagem marítima localizada entre o Irã e a Península Arábica e utilizada para o transporte de uma parcela significativa do petróleo e do gás comercializados no mundo. As dificuldades na circulação de produtos pela região reduziram a oferta disponível no mercado internacional e pressionaram os preços.
Mas por que um problema no exterior afeta o preço no Brasil se o país produz petróleo?
Isso acontece porque o petróleo e seus derivados são negociados como commodities, produtos cujo preço é influenciado pelo mercado internacional. Assim, mesmo sendo produtor de petróleo, o Brasil não fica isolado das oscilações internacionais.
O preço do QAV vendido pela Petrobras às distribuidoras é reajustado no primeiro dia de cada mês, conforme as regras previstas nos contratos. A empresa informou que utiliza uma fórmula de preços que funciona como um mecanismo de amortecimento, fazendo com que os reajustes no mercado brasileiro possam ocorrer de maneira diferente das variações observadas no exterior.
O aumento vai deixar as passagens mais caras?
O reajuste aumenta os custos das companhias aéreas, mas não é possível afirmar que ele será repassado integralmente para o consumidor.
Na prática, as empresas precisam avaliar o conjunto de despesas e as condições do mercado antes de definir os preços das passagens. Uma companhia pode absorver parte do aumento, reduzir custos em outras áreas ou repassar parte dele para as tarifas.
Para o passageiro, portanto, o principal efeito é uma pressão maior sobre os custos do transporte aéreo. Se o combustível continuar em patamares elevados, as empresas terão de administrar uma despesa significativamente maior para manter suas operações.
A Petrobras informou que é responsável por cerca de 85% da produção nacional de QAV, mas o mercado brasileiro permanece aberto para outros produtores e importadores.
O novo reajuste entra em vigor em um momento de forte pressão sobre o setor aéreo e representa mais um aumento no principal combustível utilizado pelas aeronaves comerciais no país.
Da Redação CSFM









